Autobiografia

by on 20/03/2009

fabricio_ternoAcredito que ao invés de trocar cartões, as pessoas, ao se apresentar umas às outras, deveriam trocar biografias. Ou melhor, autobiografias. Assim teríamos condições muito melhores de avaliar se vale a pena ou não criarmos laços com quem acabamos de conhecer.

Para quem ainda não fez muito na vida (não acredito nisto, acho que todo mundo tem uma infinidade de histórias pessoais para contar, mas vamos em frente), a biografia poderia ser substituída por um relato do que esta pessoa pretende fazer da sua vida. Na pior das hipóteses valeria o exercício para ela mesma saber que rumo tomar neste início da sua caminhada existencial.

Imagina só você, um cara que adora piadas, um daqueles que perde o amigo mas não perde a piada. Sua biografia é recheada de histórias engraçadas envolvendo os amigos que as protagonizaram. E mais que isso, você dá nome aos bois, diz quem fez o quê em cada uma dessas histórias. Sua biografia não fala diretamente de você, mas mostra exatamente quem você é, seu bom humor, como você vê o mundo, como retrata seus amigos, contando as piadas protagonizadas por eles de forma sutil ou ridicularizando os mesmos. Tudo isso é um retrato fiel de quem você é e do que as pessoas podem esperar de você.

Então um dia você encontra aquele cara sisudo, que não gosta de piadas, que se leva mais a sério do que seria natural. Entrega sua autobiografia, ele folheia as primeiras páginas e logo diz: “Não vamos ser amigos. Nossa relação estragaria na primeira situação vexatória que eu passasse e você descrevesse na versão atualizada de sua biografia. Foi um prazer lhe conhecer, obrigado e até nunca mais”.

Poderíamos ter o oposto, uma autobiografia onde você relata uma vida de aventuras, contando como viajou para a Europa quando completou 18 anos, apenas com uma mochila nas costas e quase sem dinheiro. Conta as dezenas de empregos que teve ao longo da viagem para poder pagar a comida do dia seguinte. Conta como voltoudesta viagem e ao saber da corrida do ouro, foi para Serra Pelada em busca da fortuna. Conta das pescarias que fazia com os amigos quando era criança, da relação que tinha com seus pais. E encontra alguém completamente o oposto, mas que fica fascinado com essas aventuras todas e resolve que seria muito legal ter um amigo que já teve tantas experiências distintas.

E isso pode facilitar ainda mais os encontros profissionais. Com uma biografia fica muito mais fácil saber como aquela pessoa que acabamos de conhecer poderia nos ajudar. E como poderíamos nós, ajudá-la em seus desafios profissionais. Imagine as possibilidades! Eu estou começando agora mesmo a escrever minha autobiografia. Talvez me anime até mesmo em escrever por aqui. Quem sabe criar uma categoria exclusiva para isso aqui no site?

Autobiografia para quem?

No final, não interessa muito se alguém lerá minha autobiografia. O simples exercício de escrever quem somos, o que fazemos, como funcionamos e reagimos ao mundo ao nosso redor, já é uma experiência fascinante. Ao escrever sobre nós mesmos estamos nos auto-conhecendo. Imagine a economia em não precisar ir a um psicólogo? Isso sim é auto-ajuda. Emocional e financeira :-)

O que acredito na realidade são em amizades sólidas. Em saber não apenas o que já fizeram ou do que gostam mas também de saber como estão os nossos amigos verdadeiros. A tecnologia hoje em dia torna muito fácil e superficial algumas amizades, com gente que quase não se fala somando números nas listas de amigos dos Orkuts da vida. Não que isso não tenha sua utilidade, tem. Amigos que mudam para o exterior podem ter sua vida facilitada ao conseguir manter contato com antigos colegas que teriam “se perdido por aí” se não houvesse esse tipo de tecnologia para ajudar. Mas nunca podemos esquecer da relevância de realmente se importar com nossos amigos. De querer bem e buscar sempre algo que possamos fazer para ajudar aquele amigo que mesmo com pouco contato pessoal, gostamos tanto.

Esse é um daqueles dias em que a emoção fala mais alto que a razão.

Amo todos vocês.

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Atitude, o mundo é de quem faz!
17/08/2009 at 4:37 pm

{ 4 comments }

1 Adriana R. Arruda 19/08/2009 at 10:50 am

Que bom ler algo com conteúdo e escrito de coração. Parabéns por ter amigos perto de você e que participam.

2 Fabricio Stefani Peruzzo 19/08/2009 at 11:00 am

Adriana,

Agradeço todos os dias por tudo de bom que o mundo me proporciona. Tento mostrar um pouco disso para estimular mais pessoas a ver o lado bom das situações, a buscar as soluções em vez de ficar olhando para os problemas sem agir para resolvê-los.

Que bom que gostaste. Saber que um texto meu causa essa sensação positiva é o maior estímulo para continuar, fora, claro, o fato de eu adorar escrever e usar isso como ferramenta de autoconhecimento.

Abraço.

3 saulo 22/03/2010 at 2:17 am

Olá Fabricio,
Quem sabe não podemos criar um grupo ou um clube virtual de pessoas que tem os mesmos interesses e que coloquem uma mini biografia para serem aceitos pelos outros smembros???
Tipo um orkut simplificado de pessoas interessadas em educação financeira, mas com mais rigorosidade. com redes de relacionamento especializadas, sem entrar pessoas nada a ver.
Que acha da idéia? Eu trabalho com informática, pode ser um bom start.
Posta essa idéia nos seus blogs pedindo pro pessoal comentar o que acham, e podemos ver o que a idéia pode gerar.
Abraço,
Saulo Venancio

4 Fabricio Stefani Peruzzo 22/03/2010 at 12:52 pm

Oi Saulo,

Teu comentário já está publicado aqui, logo, a idéia está lançada.

Querendo participar de um grupo de interessados em investimentos imobiliários, dá uma olhada em http://www.sociedadedoimovel.com.br

Abraço.

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